Se fosse barata, virava livro. Mas não era.
Monstruoso, me espreitava em silêncio. As patas repletas de articulações, as garras
pontiagudas, e eu não via os olhos. Nem movimento, nem nada. Silêncio... e me
espreitava. E eu, mais e mais, admirava.
Veria também meus olhos?...
... Me engoliu finalmente, eu me exaltava. E contemplava mais. Eu e meu predador, ofegantes, em silêncio. Meio-aranha, meio-morcego, você. Eu, já meio-bicho, já a me deglutir, me apaixonava. E me dei conta, era eu a te espreitar. A respirar tua arquitetura. A chorar teu esqueleto e morder tuas ogivas.
Se bicho eu fosse, viraria catedral.