quarta-feira

Bichos na cidade I


Se fosse barata, virava livro. Mas não era.
Monstruoso, me espreitava em silêncio. As patas repletas de articulações, as garras pontiagudas, e eu não via os olhos. Nem movimento, nem nada. Silêncio... e me espreitava. E eu, mais e mais, admirava.

Veria também meus olhos?...
...

Me engoliu finalmente, eu me exaltava. E contemplava mais. Eu e meu predador, ofegantes, em silêncio. Meio-aranha, meio-morcego, você. Eu, já meio-bicho, já a me deglutir, me apaixonava. E me dei conta, era eu a te espreitar. A respirar tua arquitetura. A chorar teu esqueleto e morder tuas ogivas.

Se bicho eu fosse, viraria catedral.